terça-feira, 17 de julho de 2012

Cheio do Nada...


  Entrou numa loja de ilusão, nas prateleiras... mundos diferentes, estranhos ao seu.
O ar, o cheiro, os sorrisos vendáveis, assim como qualquer mortal que o permite ser de tal forma.

  Caixas, embrulhos, enfeites, tudo, mas tudo...vazio. Foi assim que ela sentiu-se, peixe fora d'agua.
Tentou dissimular, apanhou o primeiro saquinho de cor bonitinha, com aspecto colorido. "É este!" disse, em tom de confiança. Saiu da loja arrependida, abriu o tal embrulho, bonito...com laço de seda, papel arroz, suave, leve.
 Sentou-se , parou o olhar num ponto distante onde podia ver o ir e vir das pessoas. Uns com pressa, outros sem, passos descompassados, destrambelhados iguais ao dela. Suspirou como se ali nada mais restasse, levantou-se, até pensou em deixar o embrulho bonitinho com o saquinho colorido p/ trás. Do 'nada' ela já estava cheia e no saquinho só restava isso...estava cheio, do nada!

  Decidiu. Não adiantava embrulhar o vazio e presentear-se. Lembrou quando ganhou um bombom de chocolate, amassado, guardado há um bom tempo dentro de uma mochila, endereçado à ela e foi por isso mesmo que, o sabor real do chocolate no momento pouco interessou. Nele havia carinho, lembrança e o tempo em que repousou na mochila qual à um bom vinho que leva anos p/ macerar, obtendo assim delicioso sabor e aroma, não tinha preço. Sorriu, recordou de bobagens da infância, das brincadeiras, das manias de guardar tudo, de achar sempre que tudo que fazia seria a última vez.

  Abriu a bolsa e sorriu mais uma vez... juntando tudo o que tinha dentro dela, nem chegaria ao valor do mimo arrependido. O olhar voltou-se p/ loja de ilusão, a passos largos foi em sua direção... parou, achou melhor não devolver. Caminhou até o 1º lixo e jogou o saquinho vazio, com embrulho bonitinho... no chão. Sentiu súbito alívio, para casa foi; sorriu, cantou, chorou, viveu e tudo guardou em sua bolsa como se fosse a 1º e última vez.

Rivotril dela

Um comentário:

  1. Mui bien. Excelente estreia! Isto é extra texto, mas valoriza o trabalho ficcional do escritor, saber que o autor real (não a personagem) poderia estar nos dois lados da história, ou seja,podeira tanto comprar lindos e tristes nadas mas também vendê-los! Salve!

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